quinta-feira, 18 de abril de 2013

Boutique da Música entrevista : Fatima Guedes


Fatima Guedes emocionou Niterói no Gracioso.
Boutique da Música entrevistou: - Fátima Guedes, no Gracioso Café Bistrô em Niterói
Boutique da Música conferiu!

Fatima Guedes, cantora e compositora, vegetariana, artesã das almas, da música, influenciada pela mãe, uma professora de literatura que a iniciou no mundo das letras; começou a compor com 15 anos. Desde então Fátima Guedes emplacou um sucesso atrás do outro. A cantora e compositora possui uma obra com onze discos gravados e muitas, muitas composições.
Suas músicas já foram gravadas por grandes nomes da nossa MPB, como  Maria Bethância, Nana Caymmi, Simone, Alcione, Leny Andrade, Beth Carvalho, Ney Matogrosso, Alaíde Costa, Jane Duboc  entre outros.
Fátima Guedes  está na estrada, desde maio de 2012,  com o espetáculo “Transparente”, onde canta Gilberto Gil, Gabriel – O pensador, Thiaguinho, Guinga, Lenine, Chico Buarque entre outros e surpreende a todos com um show pra cima, brincalhão, onde ela imprime sua marca nas mais variadas canções e ritmos contemporâneos.  Traz quatro canções autorais inéditas e alguns de seus grandes sucessos completam a obra. A concepção e sucesso do espetáculo, ela credita totalmente a sua nova fase de moradora do Rio de Janeiro, após 15 anos de Teresópolis.
Para o Gracioso Café Bistrô, a pedido de seu pianista Fernando Merlino,  Fatima Guedes também acompanhada de Jamil Jeanes no baixo, trouxe o pocket do espetáculo “Tanto que  aprendi do amor”. Um  show totalmente  autoral, permeado com a  poesia de Manoel Bandeira, que complementa assim, suas percepções sobre o  amor.
Eu estive lá e posso assegurar que foi uma apresentação, onde todas as almas foram expostas. Uma turma de mulheres e  homens  (no plural mesmo, vários, velhos, novos...) chorando emocionados, sensibilizados pela poesia,  voz ,  interpretação e pelo amor de Fátima Guedes.

Após o show, a Diva bateu um papo comigo. Confesso que em mais de um momento, tive que segurar as lágrimas durante a entrevista. Foi igualmente emocionante! Então vamos lá! Prepare-se para um banho de cultura e sensibilidade dessa ”artesã da música, da arte, e da alma - carioca - zona norte - pé no chão.”

Valéria: -  Você está na estrada com o espetáculo” Transparente” que é o maior sucesso de público e crítica. Porque escolheu fazer aqui no Gracioso, o “Tanto que aprendi do amor”?
Fátima Guedes: - Fazer este espetáculo hoje, foi preferência do Fernando  Merlino. Ele ama esse show, ama o repertório. E apesar do espetáculo ter sido encerrado por volta de 2010/2011, eu acatei o pedido dele, porque o show é realmente muito bonito, e eu faço tudo que o Merlino me pede. E ele tem muita razão no pedido. Veja... Nós preparamos um show geralmente para trabalharmos por um ano meio, um ano e oito meses, dois anos no máximo. Que é o bastante para viajarmos, mostrarmos o trabalho. E depois partimos para a concepção de outro espetáculo. Este show foi tão bom, mas tão bom, que ficou em cartaz por uns cinco anos aproximadamente. Eu sou uma apaixonada por literatura, e foi uma pesquisa deliciosa pelas poesias de Manoel Bandeira. Fui costurando os blocos, e o resultado foi um espetáculo muito teatral.  O show na sua concepção  possuía marcações, troca de figurino, iluminação, toda uma dramaticidade, que aqui não foi possível, por isso trouxemos uma pequena partícula do que era a apresentação do “ Tanto que aprendi do amor”.
Valéria: - E como você se sente, quando olha a plateia inteira, composta por mulheres e homens de todas as idades, chorando copiosamente, sem conter nem esconder as lágrimas, emocionados com suas canções?
Fátima Guedes: - (risos) Eu estou na vida artística para chacoalhar a mente e a emoção das pessoas. Eu não estou nisso porque quero, nem porque desejo. Acredito numa missão. Meu interesse não é dinheiro, fama ou qualquer coisa que pareça com isso. Eu quero cumprir minha missão de chacoalhar os pensamentos, e aí a emoção vem naturalmente. Foi pra isso que eu vim. Eu não faço entretenimento, eu faço arte. E não me considero uma artista. Me considero uma artesã da música e das almas das pessoas.
Valéria:-  O que você ainda não gravou e gostaria de gravar?
Fátima Guedes:-  Meu Deus... Olha... São tantas coisas maravilhosas... (hesitante) São tantas músicas, tantos nomes... E  novos nomes, novos talentos que vão surgindo... Tem coisas incríveis de Guinga, de Dori Caymmi, por exemplo... Depende do momento...
 É assim: - Toda observação para um novo show, pertence a um “click” que sua percepção, vai depender do momento que se está  vivendo.
Valéria: - Recentemente, Jorge Vercillo disse num chat que “gravaria ritmos atuais, como o funk por exemplo, desde que a qualidade melhorasse, porque a qualidade ainda é muito ruim”. Você gravaria outros ritmos?
Fátima Guedes: - Olha, o funk é uma música espetacular na medida em que retrata a realidade, o dia a dia das comunidades cariocas. É cultura. Se as letras trazem violência, ou os choques a algumas mentes,  a desvalorização da mulher por exemplo, é porque essa é a realidade que quem canta o funk vivencia. Mas apesar disso, e ninguém pode negar, é um ritmo fabuloso. É pra cima, mexe com todo mundo. É o que diz a letra: -“É som de preto, de favelado, mas quando toca, ninguém  fica parado”.
Se eu gravaria outros ritmos? Sim. Gravaria. Acho que já estou bem no caminho. No trabalho novo, “Transparente” eu já estou até cantando Rap no show. (risos)
Valéria: - O que você acha das releituras?
Fatima Guedes: - Eu acho ótimo. O negócio é colocar a música na rua. Não cabe a mim, falar da qualidade  de uma determinada gravação ou releitura. Cabe a mim, fazer música, fazer com que a letra diga o que for necessário dizer. Claro que numa mídia democrática como a internet, e com a tecnologia digital agora ao alcance de todos, onde é possível gravar um CD de excelente qualidade no quarto da sua casa, a gente encontra bons cantores, outros medianos, outros não tão medianos, mas o que eu acho que tira a prova dos nove, o momento da verdade dos fatos é o momento do corpo a corpo com a plateia. É no palco que alguém se consagra ou não. É por isso que eu dou aula de canto e preparo os meus alunos para o palco. Lá é onde tudo se revela.
Valéria: -  Fale do trabalho novo, “Transparente”
Fatima Guedes:  - Esse espetáculo está na estrada desde maio/2012. Tem a ver com o momento que eu estou vivendo de retorno ao Rio de Janeiro. Morei quinze anos em Teresópolis e voltei a cerca de um ano e meio. E para quem morava numa cidade de cento e cinquenta mil habitantes, dar de cara com a “mega cidade” com tantos “mega problemas” me assustou um pouco. Mas ao mesmo tempo, esse meu coração tijucano, esse meu coração zona Norte, pulsa muito forte. Minha paixão pelo Rio de Janeiro está no sangue. “Transparente” é o raio x dos meus sentimentos neste momento. Não é show muito romantizado, é mais politizado, eu canto coisas urbanas de Gabriel – O pensador, de Lenine, de Guinga, Gil e Chico que me situam na vida agora. Foi o que falei do “click” do momento ainda a pouco. Esse show  é, exatamente como eu estou. Em meio a uma confusão de emoções e choques. (risos)  De vez em quando eu xingo, brinco o tempo inteiro com plateia e o repertório agradou de uma forma abrangente. É uma transparência mesmo. Transparência de mim, neste momento.
Valéria: -  E o coração?
Fatima Guedes: (risos) -  Esse não está nada... (risos) Eu não tenho tido oportunidade de me envolver. Nem de buscar e nem de ser buscada... (risos) Estou num momento assim... Estava conversando com o Merlino hoje a tarde, e lembrei de uma canção gravada pela Nana, do Dori, que fala da saudade do sentimento.. Não é saudade de alguém. É saudade do amor que eu senti. Está tudo muito calmo nesse sentido.
Valéria: -  Qual foi a maior conquista da mulher Fatima Guedes?
Fatima Guedes: -  A independência financeira que me trouxe a independência filosófica. Minha independência de opinião foi a maior conquista da minha vida. Suada, batalhada, mas aos pouquinhos fui me colocando e trazendo as coisas para onde eu queria. Atingi um estágio onde não sinto mais medo. Sabe aquele medo de tudo? Aquela insegurança? Isso não existe mais. Não tenho mais medo de ficar sozinha, nem de perder alguém  ou perder algo. Os medos, nessa fase, mudam de cara e de foco. Hoje em dia, os meus medos são muito pequenos.
Valéria: -  Qual foi a maior conquista da cantora, da musicista Fatima Guedes?
Fatima Guedes: -  Esse público hoje cantando “Faca”. Valéria olha... Que emoção. Porque “Faca” não foi uma música que estourou nas paradas de sucesso, não foi muito executada nas rádios. “Faca” é uma música literalmente do “lado B”. Foi incrível ver todos cantando juntos. E cantando alto. Foi maravilhoso! Essa é a minha maior conquista. Sensação de dever cumprido. Isso não tem preço!
Valéria: - Você tem religião?
Fatima Guedes: -  Eu sou bastante ecumênica. Sou espiritualista, reencarnacionista. Tenho uma visão de mundo e de vida, que caminha com o deísmo  Acredito muito em Deus. Acredito que todos nós viemos pra cá com uma missão e com um motivo. E que nada acontece por acaso. Acredito numa superioridade, numa supremacia, em Deus que está acima de todos, orquestrando, cuidando, amparando, ensinando.

E assim nos despedimos. Euzinha, com o choro entalado na garganta... Choronaaaa...
Mas isso é assunto para um outro post!

                                             
Contato para show: Flávio Loureiro  (21) 9778-0003/2625-2275/24*61723
                                                   flaviolpcd@gmail.com

Beijos cheios de amor a música!!

Matéria oferecida por> http://boutiquedamusica.wix.com/boutiquedamusica






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